sexta-feira, 28 de agosto de 2009

beijo em caixa alta

Por Enio Moraes Júnior
Imagem:http://miriancoelho.files.wordpress.com/2009/01/beijo-thumb.jpg

vou esperar que ele venha
quente e molhado
insistente e descarado
incensato o malvado
no rosto no pescoço na nuca
de frente de lado
aéreo terráqueo
na boca no lábio babado
o beijo o beijo o beijo
em caixa alta
esperado

domingo, 9 de agosto de 2009

Azul

Texto e foto: Enio Moraes Júnior











De onde vem
Esse céu tão bonito
Esse mar infinito
Fico-fico a fitar

Imagino que vem
De um lugar meio assim
Bem perto de mim
Tão-tão perto a me olhar

Se sequer consigo imaginar
Vejo, imóvel, brilhar
Azul-azul céu e mar

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Hiperpressa

O cientista social Stephen Bertman entende por hipercultura a cultura contemporânea da pressa e da superficialidade. A ela importam menos a qualidade e a profundidade da apuração e do conhecimento dos fatos e mais a quantidade e sucessão de dados. Segundo ele (1998: 181):

A hipercultura é uma cultura que facilmente se torna maçadora e que rapidamente aturde as pessoas, uma cultura em que o divertimento se transforma e deixa de ser um momento ocasional de distração de pessoas ou de grupos e passa a ser uma forma de vida, que ocupa todos os interstícios entre os períodos de trabalho. Esgotando rapidamente as reservas de energia, uma hipercultura exige constantemente ser abastecida. Recusando-se a adquirir horizontes, por ser uma actividade intensa em termos de tempo, ela anseia antes por ser injectada com doses de estímulo a curto prazo. Por que a hipercultura é uma sociedade constituída por “corpos atarefados”, numa ânsia frenética de acompanharem o passo, não só por razões de necessidade econômica mas por motivo de preferência psicológica. O tempo – desorganizado, desperdiçado – pesa fortemente sobre a sua cabeça. Ela pode exigir ser libertada de algumas tarefas específicas, mas preenche logo o vazio da inércia com mais atividade ainda.

A partir desse ponto é possível assimilar os precedentes para localizarmos na sociedade humana contemporânea o alheamento em relação ao outro, ao mundo e as razões porque passamos a correr sem saber mesmo o porquê.

BERTMAN, Stephen. Hipercultura: o preço da pressa. Tradução Ana André. Lisboa: Instituto Piaget, 1998.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Amasso

Foto e texto: Enio Moraes Júnior



Se você soubesse
Se eu te falasse
Se eu te mostrasse
E se eu te amasse?

Se você me amasse
E se me falasse
E se me mostrasse
E se eu soubesse?

Se a gente quisesse
Se a gente falasse
Se a gente soubesse
Que a gente se ama (sse)

Que a gente falasse
Que a gente soubesse
Que a gente quisesse
E que se amassasse

Amores com notas de rodapé

Para meus queridos amigos Lucia, Rejane, Sérgio e Tereza,
que me confidenciaram tanta coisa nesses dias


Amores com notas de rodapé
São amores?[1]

Amores com notas de rodapé
São amores?[2]

Amores com notas de rodapé
São amores?[3]

Amores com notas de rodapé
São, de certo, amores[4]

Amores com notas de rodapé
São incertos amores[5]

Amores com notas de rodapé
São flores, são dores[6]

Amores de com notas de rodapé
São, então, amores?[7]

[1] Há rumores de que, apesar dos dissabores
São, sim, de fato, amores
[2] Há defensores. Mas como há nesses amores também rancores,
Conta-se que não são assim, tão decerto, amores
[3] Por conta dos seus pudores, dos seus temores, dos seus rubores
Diz-se que não sejam, de fato, amores
[4] Se os seus rodapés são notas de flores
Se os seus pés colorem as cores
[5] Se os seus rodapés são notas de horrores
Se os seus pés borram as cores
[6] Se os seus rodapés são notas de flores
Mas pisadas incertas desbotam as cores
[7] São sempre, certamente, amores
Quando ao pé, aqui, escutas meus segredos mais desoladores

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Centauro


Por Enio Moraes Júnior

Patas, cavalos inquietados
Por vezes acalmados
Braços, flecheiros alegrados
Quase sempre devotados

Cansados, descansados
Para cá, para lá; para lado contrário
Casados, descasados
Natureza do fogo, de ar necessário

Sentimento do mundo
Da vela, incendiário
Caminho lento, sempre, profundo
Caminhar diário

Loucos-sãos, intermediários
Fogo, vento, vela
Bicicleta, metrô, busão ordinário
Caminhar, caminhante: centauro, sagitário

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Murais e tudo mais





Um lugar especial para a família,
para os amigos, para as pessoas
Foto e texto: Enio Moraes Júnior




Rezo e ajo todo dia
Para que o mundo seja azul-esverdeado
Para que o sol amanheça amarelo-dourado
E que a lua anoiteça num branco-silenciado, amado

Para que todas as cores do mundo
Caibam nos nossos corações vagabundos
Para que todas as caras do mundo
Sorriam seus risos de contentamento mais profundo

Rezo e ajo todo dia
Para que a vida seja desimpedida
Para que a morte seja só uma partida-querida
Para que a felicidade seja consentida

Para que as dores do mundo
Não existam tão-mais
Para que o aprendizado
Não se faça doloroso demais

Rezo e ajo todo dia
Para que os adultos relaxem em seus sais
Para que as crianças durmam em paz
E para que você esteja sempre nos meus murais